'Você abandonaria um parente?': caso de 'montanha' de fezes e cães à beira da morte expõe maus-tratos a animais no oeste paulista

  • 28/04/2026
(Foto: Reprodução)
Caso de 'montanha' de fezes e cães à beira da morte expõe maus-tratos a animais em SP Casos de maus-tratos contra animais seguem em crescimento no oeste paulista. Dados obtidos pelo g1 por meio da Lei de Acesso à Informação mostram que, entre 1º de janeiro de 2023 e 31 de janeiro de 2026, 53 pessoas foram conduzidas a Delegacias da Polícia Civil na região de Presidente Prudente, com sete prisões em flagrante e 31 aplicações de medidas cautelares ou outras providências policiais. Os números também revelam aumento progressivo de ocorrências nos últimos anos. Em 2025, foram 534 registros de ocorrência, uma alta de 16,8% em relação a 2024, que teve 457 casos. Em 2023, haviam sido 448 registros. 📲 Participe do canal do g1 Presidente Prudente e Região no WhatsApp Ao todo, 86 animais foram resgatados nesse período, entre cães, gatos, serpentes, galinhas, equinos, bovinos e pássaros. Caso que marcou atuação de agente policial envolvia casa com pilhas de fezes e cães em situação extrema em Pirapozinho (SP) Polícia Ambiental/Arquivo Na área do Departamento de Polícia Judiciária do Interior 8 (Deinter-8), Presidente Prudente lidera o número de registros de maus-tratos no período analisado. Veja as cinco cidades com mais registros: Presidente Prudente: 216 Assis: 96 Dracena: 77 Adamantina: 68 Pirapozinho: 56 Entre os tipos de ocorrência registrados em 2025, o crime mais comum foi praticar ato de abuso a animais (artigo 32), com 255 boletins (47%). Na sequência, aparecem omissão de cautela na guarda de animais, com 243 registros (45%), e abandono, com 36 (6%). Em 2024, 51% dos registros foram de omissão de cautela na guarda ou condução de animais, com 233 casos. Em seguida aparecem praticar ato de abuso a animais, com 196 registros (43%), e introdução ou abandono de animais em propriedade alheia, com 28 ocorrências (6%). Em 2023, os números foram semelhantes: Omissão de cautela na guarda/condução: 223 (50%); Praticar ato de abuso: 195 (43,5%); Abandono em propriedade alheia: 29 (6,5%); Crueldade contra animais: um caso. Nos anos de 2024, 2025 e 2026 (até o momento), foram instaurados 22 inquéritos policiais ainda em andamento. Nesse período, 161 foram concluídos e 45 arquivados. Como funciona? Mesmo com os números elevados, a realidade pode ser ainda maior, segundo o agente da Polícia Civil Andrews Markus Bratifisch, que atua no combate à violência contra animais na região. Agente policial atua contra os maus-tratos a animais em Pirapozinho (SP) e região Andrews Markus/Arquivo pessoal Isso porque nem todas as denúncias resultam em crimes confirmados. Ele orienta que registros sejam acompanhados de provas, como vídeos e áudios, para fortalecer a investigação. Segundo o agente, a análise da situação do animal vai além de uma observação superficial. Durante as verificações, a polícia conversa com o tutor, observa o ambiente e avalia o estado do animal. Caso não haja sinais claros de violência ou negligência grave, a ocorrência pode ser registrada como não criminal. "O cachorro não está visivelmente em situação degradante. Não tem ferida aberta, não está cortado, não tem sinal de espancamento, não tem nada", explica ao g1. Mesmo nesses casos, o trabalho policial inclui orientação e articulação com outros órgãos, como avaliação veterinária. "A gente orienta o tutor a levar o animal ao Centro de Zoonose e já orienta o Centro de Zoonose que vai chegar um animal." Agente policial atua contra os maus-tratos a animais em Pirapozinho (SP) e região Andrews Markus/Arquivo pessoal Caso marcante Em algumas situações, porém, a realidade encontrada é extrema. Um dos episódios mais marcantes citados pelo agente policial ocorreu em Pirapozinho (SP), onde oito cães foram resgatados de uma casa em condições insalubres. "Havia uma 'montanha' de sacolas plásticas fechadas. Quando eu fui ver, era cocô." A operação mobilizou diferentes setores do poder público. "Eu fiz uma força-tarefa, eu chamei a Ambiental para fazer a parte da multa. Chamei o setor de endemias do município, chamei o setor de postura do município." A maioria dos animais não resistiu às condições em que vivia. "Só um ficou vivo e eu acabei levando embora." Para o agente, casos graves mostram a necessidade de uma rede estruturada de proteção animal, envolvendo poder público e sociedade. "A gente precisa desse corpo, precisa da ação policial, precisa de um veterinário e precisa do final da causa, que é para onde o animal vai", afirma ao g1. Ele também destaca o papel das organizações de proteção animal. "As ONGs e as pessoas que são devotas, eu posso dizer isso, porque é uma devoção para a causa animal." Caso emblemático em Pirapozinho (SP) marcou o agente policial; oito cães foram resgatados Polícia Ambiental/Arquivo Relembre o caso O caso em questão ocorreu em 29 de maio de 2024. Conforme a Polícia Militar Ambiental, uma equipe recebeu denúncia de que um homem mantinha cães sem alimentação por vários dias e que, durante a noite, os animais uivavam de fome. De acordo com a Polícia Civil, uma força-tarefa foi montada para verificar a denúncia e constatar os maus-tratos no local. O envolvido, um professor de 37 anos, foi preso em flagrante na ocasião. Os cães foram resgatados e encaminhados para os cuidados da Associação SOS Animais. Segundo a Polícia Ambiental, dos oito cães encontrados no imóvel, dois eram da raça border collie e seis não tinham raça definida. Os médicos veterinários da Casa da Agricultura constataram que os animais apresentavam lesões de pele (sarna) e magreza excessiva e viviam em condições insalubres. O local também foi considerado inadequado devido à grande quantidade de fezes espalhadas pelo chão e à ausência de alimentos. Além disso, alguns dos animais apresentavam sinais de hematuria, ou seja, presença de sangue na urina. LEIA TAMBÉM: Presidente Prudente recebe 700 unidades de Implanon, método contraceptivo disponível pelo SUS Assustada, raposinha-do-campo é resgatada em área urbana de Presidente Venceslau: ‘Muito dócil’, aponta biólogo Mais de 15 pedestres morreram em rodovias do oeste paulista em 3 anos; polícia alerta sobre riscos no acostamento Fã de Stitch, menina tem aniversário transformado por surpresa em pizzaria no interior de SP Caso emblemático em Pirapozinho (SP) marcou o agente policial; oito cães foram resgatados Andrews Markus/Arquivo pessoal Responsabilidade na adoção O agente reforça que ter um animal exige planejamento e responsabilidade. "É importante a pessoa que quer ter um animal verificar se ela tem condição de cuidar. Por quê? Porque, como todo ser vivo, o animalzinho pode ficar doente. E a gente sabe que, quando o animalzinho ficar doente, ele vai precisar de atendimento médico veterinário." Ele lembra que ainda não há atendimento veterinário público gratuito disponível. "Então, será que eu posso ter um bichinho? Posso. Se ele ficar doente, eu vou cuidar? Posso. Então adote." "A gente tem que fazer esse autoexame de consciência para ver se a gente pode pegar essa responsabilidade. Porque esse bichinho vai viver na sua família por vários anos. E você vai fazer o quê? Vai abandonar? Você abandonaria um parente?", indica. Em um caso emblemático de maus-tratos em Pirapozinho (SP), dos oito cães resgatados apenas um sobreviveu e acabou sendo adotado pelo próprio agente policial que participou da ocorrência. À esquerda, imagens do dia do resgate; à direita, o animal atualmente Andrews Markus/Arquivo pessoal Leis e punições O aumento de casos também levanta debates sobre a eficácia das punições previstas na legislação brasileira. Segundo o analista jurídico do Ministério Público do Estado de São Paulo, Eduardo Buzetti Eustachio Bezerro, houve avanços, mas o direito penal costuma responder mais lentamente às mudanças sociais. "Realmente a gente tem tido um aumento exponencial na questão dos crimes de abusos, maus-tratos a animais, não apenas violentos, mas também por omissão, de cuidado", analisa o analista jurídico. Os crimes de maus-tratos são previstos principalmente na Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/98). Antes dessa legislação, os casos eram tratados apenas como contravenção penal, com punições leves. "A pena era ridícula, de prisão simples no máximo de um mês ou multa que era ainda em R$ 1 mil", diz. Com a lei ambiental, o artigo 32 passou a prever detenção de três meses a um ano e multa. Agente policial atua contra os maus-tratos a animais em Pirapozinho (SP) e região Andrews Markus/Arquivo pessoal Lei Sansão Em 2020, uma mudança importante ampliou as punições para maus-tratos contra cães e gatos. A alteração ficou conhecida como Lei Sansão, nome inspirado no caso de um pit bull que teve as patas decepadas em Minas Gerais e que gerou repercussão nacional. "Ela veio do que a gente tinha de três meses a um ano para reclusão de dois a cinco anos", continua. A mudança também permitiu prisão preventiva e proibiu a arbitragem de fiança pelo delegado. "A gente passou a permitir prisão preventiva, porque a pena já era maior do que quatro anos. A gente proibiu o delegado de arbitragem e a fiança", explica. Outra consequência é a proibição de guarda de animais durante o período da pena. "Não é só desse animal que vou ter proibição, vou ter proibição de guarda de qualquer animal." Caso o animal morra em decorrência dos maus-tratos, a pena pode aumentar de 1/6 a 1/3. O agente policial inclui que a causa animal exige compromisso coletivo e sensibilidade da sociedade. "A causa animal transcede o cuidado, é amor incondicional e o compromisso de avaliar se você pode oferecer uma vida digna antes de acolher um amigo. Se presenciar maus-tratos, denuncie imediatamente pelos canais oficiais, pois toda vida em jogo merece proteção", ressalta o policial civil. Apesar das mudanças recentes, o analista jurídico ainda afirma que existem debates em andamento sobre a proporcionalidade das penas e a forma como a legislação protege diferentes espécies. Isso porque a punição mais severa prevista na lei atualmente vale apenas para cães e gatos. "Se eu pratico maus-tratos com um coelho, com um cavalo de estimação, a pena fica como de pequeno potencial ofensivo. Se é com cão e gato, já vira um crime de médio potencial ofensivo", diz. Como denunciar Denúncias de maus-tratos podem ser feitas pela Delegacia Eletrônica de Proteção Animal (Depa), no site da Polícia Civil, ou diretamente na delegacia física mais próxima. Registros com fotos, vídeos ou áudios ajudam a fortalecer a investigação. Delegacia Eletrônica de Proteção Animal, a Depa, é um dos principais meios de denúncias contra maus-tratos a animais Reprodução Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Presidente Prudente e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/presidente-prudente-e-regiao/noticia/2026/04/28/voce-abandonaria-um-parente-caso-de-montanha-de-fezes-e-caes-a-beira-da-morte-expoe-maus-tratos-a-animais-no-oeste-paulista.ghtml


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