Viagem histórica: Trump visita a China para fazer negócios

  • 11/05/2026
(Foto: Reprodução)
Tabuleiro do poder: Trump chega quarta-feira à China para visita histórica Nesta quarta-feira (13), Donald Trump chega à China para uma viagem histórica. O presidente americano trava com os chineses a mais pesada guerra comercial de todas. O tarifaço chegou perto de 150%. Agora, Trump quer fazer negócios; vai levar na delegação 16 executivos de grandes empresas - entre elas, big techs como a Apple, o X e a Meta. Os correspondentes Felipe Santana e Lucas Louis mostram o que está em jogo nesse encontro de Donald Trump com Xi Jinping, o presidente da China. Por décadas, o mundo parecia um tabuleiro de xadrez: dois lados; oponentes claros; regras definidas. O cavalo americano cavalgava rumo ao xeque-mate. Este era o mundo da Guerra Fria: uma disputa linear entre Estados Unidos e União Soviética. Em que cada movimento era simbólico. A China não estava sentada à mesa do jogo. Um país pobre em que muita gente passava fome. Mas silenciosamente engrenava uma estratégia. O primeiro movimento foi investir na construção de fábricas. Os americanos perceberam que poderiam se livrar do trabalho repetitivo, ter ideias e fabricar do outro lado do mundo, muito mais barato. Por isso, ajudaram a China a entrar na Organização Mundial do Comércio. Os americanos se sentiram mais ricos do que nunca e puderam se desenvolver em outras áreas da economia, e o mundo começou a receber nas mãos uma profusão de produtos "made in China". As linhas de produção mundial foram integradas, e os países começaram a depender muito mais uns dos outros para fazer qualquer produto. Assim, a China cresceu de 8% a 10% ao ano por décadas. Primeiro, fabricando. Depois, copiando. E, por fim, inovando. Viagem histórica: Trump visita a China para fazer negócios Jornal Nacional/ Reprodução Em 2011, os Estados Unidos acordaram. Barack Obama lançou o programa Pivô para a Ásia. Um reconhecimento de que o poder no mundo estava rapidamente se deslocando para o Oriente. Enviou 60% da frota americana para o Pacífico.; estreitou alianças com Japão, Coreia do Sul e Filipinas; e criou um grande acordo comercial - estabelecia regras trabalhistas, ambientais, financeiras que não estavam nos livros chineses. De fato, os excluía do comércio. Um movimento estratégico no tabuleiro de xadrez. A China percebeu que, a partir daquele momento, os Estados Unidos não eram mais parceiros comerciais, mas competidores. A resposta? Continuar fabricando produtos baratos, mas também investir em produtos cada vez mais caros e sofisticados, e criar parcerias estratégicas de comércio com grande parte do mundo. Até que chegou Donald Trump. O verdadeiro pivô para a Ásia. Abandonou as alianças que Obama tinha feito, inflamou a competição com o rival, começou com as tarifas para desfazer essa cadeia global de suprimentos e trazer de volta as fábricas para os Estados Unidos. Trump jogou fora o tabuleiro de xadrez e resolveu fazer do seu próprio jeito. Pôquer: não importa as cartas que realmente tem na mão se souber blefar. Quando Joe Biden assumiu, voltou com o xadrez estratégico com um interesse principal: garantir que os Estados Unidos tivessem não as fábricas, mas os suprimentos necessários para que a tecnologia pudesse avançar. Principalmente os chips. Viagem histórica: Trump visita a China para fazer negócios Jornal Nacional/ Reprodução Donald Trump voltou e a polarização entre republicanos e democratas se tornou ainda mais clara: jogou de novo o xadrez de lado. Só que lá na outra ponta estava o presidente chinês, Xi Jinping. E se ele, na verdade, nunca estivesse jogando o jogo dos americanos, o xadrez, mas um outro jogo? E se Xi Jinping, na verdade, estiver jogando um outro jogo? Um que é o símbolo cultural da China: o mahjong? Em primeiro lugar, ele não é feito para ser jogado contra um adversário, mas em grupo. Em segundo lugar, o objetivo não é matar o rei inimigo, mas dominar a mesa de maneira estratégica. Como no mahjong, Xi Jinping vê uma mesa de vários jogadores e vai formando alianças estratégicas e flexíveis. Uma das formas é investir em uma obra em um país que sirva exatamente para exportar uma matéria-prima que a China precisa comprar ou em um porto para receber os produtos chineses, ou então em acordos de cooperação tecnológica e vigilância. A China já é a principal parceira comercial da maior parte dos países do mundo. Por isso, a ida de Donald Trump é histórica. Os dois presidentes se encontrarão para um jogo em que cada movimento importa. Mas será a primeira vez que os Estados Unidos não estarão jogando xadrez, sem ainda saber direito qual o tabuleiro que o planeta vai usar. Um jogo de alianças sem esperar um xeque-mate. GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Jornal Nacional LEIA TAMBÉM Trump diz que discutirá venda de armas a Taiwan e guerra no Irã com Xi Jinping em visita à China China anuncia datas da visita oficial de Trump e fala em trabalhar 'em pé de igualdade' com os EUA Só a etiqueta muda: Fantástico flagra mesma calça sair de fábrica na China para ser vendida entre R$ 100 e R$ 800 China acelera corrida tecnológica com robôs, fábricas automatizadas e produção em massa

FONTE: https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2026/05/11/viagem-historica-trump-visita-a-china-para-fazer-negocios.ghtml


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