Tiros de delegado contra esposa, empregada e enfermeira no DF completam um ano; saiba como estão os envolvidos
16/01/2026
(Foto: Reprodução) Faz um ano que um delegado de polícia atirou em casa na esposa, na empregada doméstica e depois na enfermeira de um hospital do Lago Sul
Há exatamente um ano, em 16 de janeiro de 2025, o delegado Mikhail Rocha atirou na esposa, na emprega de sua casa e em uma enfermeira no Distrito Federal.
As três vítimas sobreviveram – e pelo menos uma delas ainda convive com sequelas.
Mikhail Rocha foi preso na época, mas teve a prisão revogada pela Justiça. Ele está afastado do cargo, mas continua recebendo salário (veja detalhes mais abaixo).
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Delegado atira em esposa, empregada e enfermeira no DF
A defesa de Mikhail Rocha informou que se manifesta apenas nos autos em respeito à confidencialidade e o sigilo legal do processo.
O Ministério Público disse que o delegado foi denunciado por tentativa de feminicídio em relação à esposa, e homicídio em relação às outras duas vítimas.
Relembre o caso
Vídeo mostra momento da prisão do delegado que atirou em três mulheres no DF
O caso aconteceu em 16 de janeiro de 2025, no condomínio Santa Mônica, no Jardim Botânico - área nobre de Brasília. Mikail Rocha e Menezes, aos 46 anos, trabalhava na Delegacia de São Sebastião.
Ele estava em casa quando atirou na mulher, Andréa Rodrigues Machado e Menezes, de 40 anos, e na diarista, Oscelina Moura Neves de Oliveira, de 45 anos.
O filho do casal, de 7 anos, foi atingido de raspão. Mikail levou o menino até o Hospital Brasília, no Lago Sul. Segundo testemunhas, ele chegou nervoso, exigindo atendimento imediato para o filho.
Priscila Pessoa Rodrigues, de 45 anos, supervisora da enfermaria, foi intervir e acabou levando um tiro entre o pescoço e a clavícula.
Ao ser encontrado e abordado pela PM, o delegado resistiu à prisão (veja vídeo acima). Ele estava com duas armas.
Delegado continua recebendo salário
Delegado Mikhail Rocha.
reprodução
Nesta sexta (16), a Polícia Civil disse que Mikhail Rocha está afastado das funções desde outubro de 2025, por medida cautelar. Segundo a corporação, ele está recebendo salário.
O pagamento tinha sido suspenso, mas ele voltou a receber após determinação judicial.
🔎 Seis meses depois do crime, o delegado chegou a ser promovido na carreira, com aumento de salário, inclusive. Depois que a TV Globo mostrou o fato, a promoção foi cancelada.
Segundo o Portal da Transparência, em janeiro de 2025, mês do crime, Mikhail Rocha e Menezes recebeu R$ 17.254,58, somando o salário de delegado e a função de coordenador de plantão em delegacia. Ele recebeu essa remuneração até maio de 2025.
Em junho, o valor subiu para R$ 33.548,29, com férias e gratificações.
Mikhail Rocha ficou sem salário de julho a outubro. Ele voltou a receber, em novembro, com o valor de R$ 2.389,90.
O governo do Distrito Federal informou que está em curso um processo administrativo contra o delegado.
Como estão as vítimas
Andréa Rodrigues, então mulher do delegado, trabalha como analista no Tribunal de Justiça do DF. O tribunal não passou informações sobre a funcionária. Atualmente, ela aparece nos arquivos do órgão sem o sobrenome de Mikail.
Os advogados de Priscilla Pessoa, a enfermeira baleada, informaram que ela está bem, na medida do possível, e que entrou na Justiça com pedido de indenização contra o Estado e contra o delegado.
Já Oscelina Oliveira, a empregada, que levou um tiro no abdômen, ficou em estado gravíssimo. Ela perdeu um rim, parte do estômago e do intestino, e fez três cirurgias.
Oscelina só teve alta depois de 40 dias de internação e não pode mais trabalhar. Sem renda, ela pede ajuda a amigos, faz fisioterapia e também vai entrar na Justiça atrás de uma indenização.
"Estou me recuperando ainda. A locomoção está meio complicada ainda. Então tem um monte de instabilidade. Eu saio, mas saio acompanhada. E quando saio só, saio com bastante cuidado", conta Oscelina.
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