Enfermeiros denunciam carga excessiva de trabalho e assédio moral no Hospital São Lucas, em Vitória; vistoria termina em confusão
24/01/2026
(Foto: Reprodução) Vistoria no Hospital São Lucas termina em confusão em Vitória
Uma vistoria realizada pelo Conselho Regional de Enfermagem do Espírito Santo (Coren-ES) no Hospital São Lucas, em Vitória, terminou em confusão nesta sexta-feira (23).
O objetivo era apurar denúncias de sobrecarga de trabalho e assédio moral contra profissionais da enfermagem. A fiscalização foi interrompida, e a Polícia Militar precisou ser acionada.
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Segundo o Conselho Regional de Enfermagem do Espírito Santo, existem cerca de 200 denúncias envolvendo condições de trabalho na unidade hospitalar.
Profissionais relatam coação e medo de demissão
Uma técnica de enfermagem, que pediu para não ser identificada porque tem medo de ser demitida, contou que os profissionais são pressionados a assumir jornadas extras por falta de funcionários e baixos salários.
“A gente trabalha sob coação o tempo todo, principalmente para fazer extras, porque não tem funcionário suficiente, porque o salário que eles pagam é bem abaixo do salário de um técnico de enfermagem”, afirmou.
Segundo ela, o receio de demissão impede que muitos profissionais façam denúncias formais ou se identifiquem publicamente.
Hospital São Lucas, em Vitória
Reprodução/ TV Gazeta
Fiscalização foi impedida, diz conselho
Para apurar as denúncias, o Conselho marcou uma reunião com a direção do hospital. Paralelamente, fiscais iniciaram uma vistoria nos setores da unidade. No entanto, segundo o conselho, a equipe foi impedida de continuar o trabalho.
“Uma das diretoras do hospital, que não estava participando da reunião, impediu literalmente os nossos fiscais de entrarem nos setores e fazer a fiscalização, aos gritos, e também dizendo para os profissionais de enfermagem que, caso eles dessem algum tipo de informação para os fiscais, eles poderiam sofrer sérias consequências”, afirmou o presidente do Coren-ES, Wilton José Patrício.
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Hospital nega impedimento e cita risco assistencial
A responsável técnica pela enfermagem do Hospital São Lucas, Silvane Damasceno, negou que tenha havido qualquer impedimento à fiscalização. Segundo ela, a situação ocorreu porque profissionais teriam sido retirados de setores críticos, como a UTI.
“Equipe médica, direção técnica foi acionada, porque os pacientes precisavam de assistência. Aceitamos e respeitamos a questão da fiscalização, mas o risco assistencial, a sociedade também é um dos nossos critérios essenciais”, afirmou.
Silvane também negou que as denúncias de assédio moral e sobrecarga sejam práticas institucionais. “Nego, nego sim. Porque não é uma prática institucional, não é uma prática”, disse.
Acusação de agressão
O hospital informou ainda que a diretora-geral da unidade foi empurrada por um membro do conselho durante a fiscalização. "Ele realmente empurrou. Nós temos testemunhas, temos forma de provar isso e foi algo que assustou muito", afirmou Silvane Damasceno.
A Polícia Militar foi acionada e a fiscalização não continuou.
O Conselho Regional de Enfermagem negou qualquer tipo de agressão à diretora do hospital durante a ação. Disse ainda que não houve orientação para que todos os profissionais técnicos de enfermagem deixassem a UTI.
Secretaria de Saúde disse que não recebeu as denúncias
Em nota, a Secretaria da Saúde (Sesa) afirmou que não recebeu formalmente as denúncias citadas pelo Conselho Regional de Enfermagem e que a unidade possui canais oficiais para registro e apuração de queixas.
A pasta disse ainda que a estrutura e os equipamentos do hospital estão adequados às normas técnicas e reforçou que a atuação do Coren é bem-vinda, desde que não comprometa a assistência aos pacientes.
A secretaria também informou que orientou a profissional que teria sido agredida a registrar boletim de ocorrência.
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