Colesterol ruim x amendoim: como o grão pode ser vilão ou aliado de quem busca reduzir o LDL

  • 25/02/2026
(Foto: Reprodução)
Colesterol ruim x amendoim: como o grão pode ser vilão ou aliado O amendoim costuma aparecer nas redes sociais como alternativa “barata” para cuidar do colesterol, mas o efeito sobre o LDL - conhecido como colesterol ruim - é discreto e depende da quantidade, da forma de consumo e do contexto da dieta. Especialistas ouvidos pelo g1 explicam que o alimento pode contribuir para a saúde cardiovascular quando incluído com moderação e em versões naturais, mas também pode virar um problema se for consumido em excesso ou em preparações ultraprocessadas. A professora da Faculdade de Nutrição da Universidade Federal de Alagoas Monica Assunção destaca que a maioria das diretrizes dietéticas recomenda o consumo de 15 a 30 g como porção, o equivalente à quantidade de 1 a 2 colheres de sopa por dia. O nutrólogo Durval Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), acrescenta que o impacto do amendoim nos exames laboratoriais existe, mas é pequeno e não substitui o tratamento médico. 🥜 Quanto o amendoim realmente ajuda a reduzir o LDL? O consumo regular de amendoim pode trazer mudanças discretas no colesterol ruim. “É possível ver alguma mudança no LDL colesterol nos exames, mas essa média esperada é pequena e nem sempre é estatisticamente significativa. Geralmente, varia até quatro miligramas por decilitro”, afirma Ribas Filho. Apesar de o alimento ter uma grande quantidade de gorduras, o nutrólogo destaca que ele também tem proteínas, carboidratos, fibras, açúcares e micronutrientes que são muito importantes para a nossa saúde, como: Vitaminas E, B3 e B9 Magnésio Fósforo Potássio Zinco Cobre Fitosteróis, que auxiliam na redução da absorção do colesterol Polifenóis, que têm ação antioxidante E arginina, um importante aminoácido que favorece a vasodilatação Ainda assim, o nutrólogo alerta que o amendoim não age diretamente como um remédio para baixar o LDL. Como o amendoim pode ser vilão ou aliado de quem busca reduzir o LDL Adobe Stock ⚖️ Porção segura e o risco das calorias extras Assunção destaca que o amendoim é um alimento calórico, contendo 550 Kcal em 100g de sua versão assada. Apesar de as diretrizes recomendarem de 15 g a 30 g por dia, devido ao alto valor calórico, efeitos mais intensos foram observados com consumo superior a 60 g por dia. Ribas Filho reforça o alerta energético e defende que seu consumo não pode e não deve ser exagerado. A recomendação ideal, segundo ele, é não ultrapassar 30 g por dia e evitar adição de sal ou açúcar. Quando consumido em porções controladas e ajustado ao restante do plano energético diário, que deve ser prescrito por um nutricionista, o alimento pode ajudar no emagrecimento. “As gorduras boas, fibras e proteínas ajudam na saciedade, podendo reduzir beliscos calóricos ao longo do dia”, diz Assunção. Colesterol: nova diretriz brasileira endurece metas e cria categoria de risco extremo 🧂 Natural, torrado ou pasta: qual versão escolher? A forma de preparo interfere diretamente no efeito metabólico. Assunção recomenda versões com menor processamento: In natura ou torrado sem sal, que mantêm perfil de gordura saudável; Cozido, com menos calorias e gorduras; Pasta de amendoim natural, com ingrediente único. Ela alerta que versões salgadas, açucaradas ou ultraprocessadas “tendem a adicionar sódio, açúcares e gorduras não saudáveis, que podem contrabalançar os benefícios cardiometabólicos esperados”. Os especialistas destacam que versões industrializadas e consumo excessivo podem piorar o perfil lipídico. 🥗 Como incluir o amendoim sem prejudicar a dieta Para aproveitar os benefícios, melhorando o perfil lipídico e sem extrapolar calorias, Assunção sugere porções controladas em lanches e substituições estratégicas. O alimento pode entrar no lugar de snacks ultraprocessados, doces, salgadinhos fritos e pães brancos com manteiga. Ela destaca que o bom senso ajuda a tirar o máximo proveito desse alimento e recomenda combinar o alimento com: Fibras solúveis, como aveia e morango, que ajudam a reduzir a absorção de LDL no intestino. Vegetais ricos em fitoesteróis e antioxidantes, que têm efeitos na redução do estresse oxidativo Fontes de ômega-3, como salmão e sardinha, que adicionam um perfil anti-inflamatório. ❤️ Tratamento do colesterol: aliado complementar, não protagonista O amendoim tende a manter ou elevar discretamente HDL (colesterol bom), pode também reduzir o LDL (colesterol ruim) e até melhorar os triglicerídeos em algumas pessoas, mas muito discretamente, segundo Ribas Filho. ⚠️ Em excesso ou nas versões industrializadas, o alimento pode até piorar o perfil lipídico. Para quem já tem dislipidemia - presença de níveis elevados de lipídios (gorduras) - o amendoim pode ajudar, mas apenas como complemento. “O amendoim entra somente como uma estratégia terapêutica complementar. Ele não é um tratamento terapêutico principal”, afirma Ribas Filho. O nutrólogo lembra que apenas cerca de 20% a 25% dos casos de dislipidemia estão diretamente ligados à alimentação. Além disso, o impacto do alimento é pequeno quando comparado a medicamentos e perda de peso. “Ele funciona melhor apenas e somente quando faz parte de uma estratégia alimentar equilibrada”, afirma. Mesmo pacientes em uso de estatinas podem consumir o amendoim, desde que com orientação. “Melhora sim o contexto metabólico. Mas ele não substitui e nem potencializa de forma relevante o efeito do medicamento.” Além disso, o amendoim com açúcares adicionados e gorduras hidrogenadas aumenta o risco de dislipidemia e inflamação. Em quanto tempo aparecem mudanças nos exames? De acordo com Ribas Filho, alterações podem começar a surgir em poucas semanas, mas o efeito costuma ser avaliado entre 6 e 12 semanas — e permanece discreto. ⚠️ Quem precisa ter atenção redobrada O consumo do amendoim deve ser moderado em pessoas com obesidade, diabetes ou triglicerídeos elevados. Já para hipertensos, Assunção orienta versões sem sal e reforça a importância de associar a alimentação a frutas e vegetais ricos em potássio e magnésio, que ajudam na regulação da pressão arterial. Ela recomenda evitar as versões “tipo japonês” e snacks salgados industrializados. O sódio em excesso pode aumentar a pressão arterial e reduzir os potenciais benefícios cardioprotetores do amendoim. 📊 Pode ajudar — ou atrapalhar — dependendo de como entra na rotina O consenso entre os especialistas é que o amendoim pode ser um aliado na saúde cardiovascular quando consumido em pequenas porções, em versões naturais e dentro de uma alimentação equilibrada. Mas também pode virar vilão se for ingerido em excesso, com sal, açúcar ou em produtos ultraprocessados. Além disso, o efeito do alimento na saúde do coração é discreto, quando comparado a medicamentos e, evidentemente, a redução do peso corporal. Se consumido ‘a mais’ sem ajuste calórico, pode contribuir para o excesso energético e dificultar o emagrecimento. O grão não é solução mágica para o colesterol — mas pode fazer parte de uma estratégia maior, desde que com equilíbrio, orientação profissional e escolhas inteligentes no prato.

FONTE: https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/02/25/colesterol-ruim-x-amendoim-como-o-grao-pode-ser-vilao-ou-aliado-de-quem-busca-reduzir-o-ldl.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

No momento todos os nossos apresentadores estão offline, tente novamente mais tarde, obrigado!

Top 5

top1
1. Don't Let Me Down

The Beatles

top2
2. Epitaph

King Crimson

top3
3. Feeling Good

Nina Simone

top4
4. Somebody To Love

Queen

top5
5. Lady Laura

Roberto Carlos

Anunciantes